sexta-feira, outubro 31, 2003

Miguel Sousa Tavares
é um dos poucos portugueses que não tem medo em assumir o que pensa; tanto manda calar a Manuela bocarras da TVI como se insurge contra o papa nortenho.
e, como se não bastasse, tem muito talento na arte de escrever emoções e sentimentos.

quarta-feira, outubro 29, 2003

presença
o homem saltou na profundeza dos dias errantes.
chamou o nevoeiro soturno e eterno da noite por acontecer.
pensou: o Olimpo jaz siderado no território rasurado, rigoroso, do poema.
do poema do teu corpo- acrescentou, séculos depois.

terça-feira, outubro 28, 2003

ausência...

sexta-feira, outubro 24, 2003

dias, 1,
recordo aqueles tempos.
tempos iniciais.
vividos no calor dos dias.
na sofreguidão intemporal: seríamos eternamente putos.
bola, rio, brincadeiras: Portugal saía da Revolução a sonhar com Liberdade...
éramos, então, felizes- ao som de E depois do adeus...

quarta-feira, outubro 22, 2003

o que é a tarde...?
diria:
a espera do corpo
anunciado
na 66 road

terça-feira, outubro 21, 2003

o que é a manhã...?
nevoeiro.
mentes turvas.
quase esbranquiçadas.
alvas.
do orvalho ausente...

segunda-feira, outubro 20, 2003

o que é a noite...? (ao Aviz...)
a perda da escuridão orvalhada e diurna,
como os cabelos de sophia,
Morte...
há um desejo de torpor na morte: quase incandescente, oblíquo, sideral...
a dor tem um odor transfigurado: a minha prima, ao sofrer tanto pela perda do pai, era outra pessoa...
ao vê-la, também fui outra pessoa; afinal, somos quase sempre outros ao longo da vida...

domingo, outubro 19, 2003

Morte...
Perdi, ontem, um tio de quem gostava.
Morreu de uma forma estúpida.
A Morte é o caminho- outro- para a Vida Eterna...

sábado, outubro 18, 2003

ouvir a mesma canção
Rui Veloso canta que, no amor, é importante ouvir a mesma canção.
para que não se perca o Rivoli do amor e das emoções...

sexta-feira, outubro 17, 2003

texto
chegámos à encruzilhada: sonhámos com as neves eternas, orvalhadas e sublimes, do Kilimanjaro. Hoje, muitas noites depois, o céu desabou na nossa alma: secreta, emergente. Solitários, viajamos na alma desordenada do mito feminino: reconhecemos que o nosso mundo é único, atroz e rasurado.
não vale a pena sonhar com o amor.
um dia, um momento, a pureza inicial: momento(s)...
a perda...
perdi o meu brinquedo.
a tempestade soltou-se.
desabou.
nunca serei um americano em Paris.
o Sena não é o meu rio.
(o Colcorinho é o meu pico...)

quinta-feira, outubro 16, 2003

o telemóvel no Mundo, o Mundo no telemóvel
perdi- ou roubaram-me- o telemóvel.
sinto-me perdido: é tão importante como o carro ou o computador.
porcaria de Tempo: tens tudo concentrado num chip: contactos, emoções, afectos, mensagens...
sou, agora, um barco sem bússola: e se rebenta uma tempestade...?
afinal, o Homem do 3º Milénio é um bicho que fica sem referências quando perde os seus brinquedos...

quarta-feira, outubro 15, 2003

manhã
nevoeiro.
a cidade acorda- num último esforço...
o caos de Agosto está há muito esquecido...
o Tempo, nestes tempos, não corre nem foge: vive-se no momento...
(este é o meu tempo...)

segunda-feira, outubro 13, 2003

folha em branco
texto, um,
o amor é o segredo do futuro.
depois do devir, a morte.
não se assustem: quando vir a pessoa que amo,morta, estarei enterrado há muito tempo...
não quero, na festa, o burro de Mário de Sá-Carneiro.
desejo: as fotos da Nicole e da Jéssica, o meu cachecol do Sporting e uma rosa da mulher da minha vida...

domingo, outubro 12, 2003

a oeste (tudo) nada de novo
entrem no link- está à direita...
leiam......
percam-se...
a noite. depois da noite.
chegámos ao romper do desfiladeiro.
a escarpa benzia as orações pronunciadas.
fizemos amor naqueles tempos imemoriais.
hoje, as horas têm o objectivo do Tejo da infância: subir, remar, calcorrear os territórios ensanguentados.
aprendi a lição.

sábado, outubro 11, 2003

Paulo Portas, fascista,
este ministro fascista deseja a presença dos mancebos numa base qualquer, numa qualquer data.
o Portas constitui um atentado à Liberdade: desconhece que o Eu está acima do Estado- ou de um qualquer ministro...
o Portas desconhece que as pessoas não têm que seguir, quais ovelhas obedientes, a sua cartilha de Deus, Pátria e Família; desconhece que o Diverso, o Múltiplo, o Diferente, são o presente...
ir à Base por ordem de Vossa Excelência? há tanta coisa interessante à espera dos putos mancebos: ler, namorar, viajar...
ministro Portas: não mace os putos com as suas teses salazaristas...

sexta-feira, outubro 10, 2003

no outro tempo...
sou de outro tempo.
sou dos dias felizes.
era puto e vivia a Terra e o seu húmus- com os meus avós...
o meu avô era um beirão de boa cepa.
esses homens não existem mais.
a minha avó foi a pessoa mais bondosa que conheci.
perdi-os há alguns anos.
desculpem o umbiguismo... mas esta coisa dos blogs só fará sentido se a escrita for emotiva...
avós: um beijo sentido...
como o tempo que voa...
as asas do desejo: como o tempo que voa em ti, por ti, contigo...

quinta-feira, outubro 09, 2003

elogio a Rui Teixeira
o Homem não será o salvador da pátria.
é, quando muito, um homem que enfrenta a Máfia portuguesa: o Sistema.
será mais uma vítima do Romantismo puro e salvador.
mas, caro Doutor, os portugueses estão consigo...

quarta-feira, outubro 08, 2003

a Justiça...
a Justiça funciona em Portugal- dizem...
a Justiça funciona em Portugal- dizem...
a Justiça funciona em Portugal- dizem...
a Justiça funciona em Portugal- dizem...
a Justiça funciona em Portugal- dizem...

(podemos dormir descansados: a Justiça funciona... e Portugal...?)
Eça revisitado
o Portugal de Durão, Cruz e Lynce encontra-se nos escritos de Eça...
afinal, o Portugal de Eça continua por cá...

terça-feira, outubro 07, 2003

Martins. da Cruz...?
sob palavra de honra, penso, este homem(?) não conhece o conceito de honra...
poema a uma mulher ausente
olhar o teu olhar:
exercício evanescente, remanescente...
amo os teus olhos, visões do meu mundo...
nunca serás minha: o meu lugar não existe: os cometas de oitocentos
devoraram as almas dos nossos corpos...
escrevo: amo esta mulher ausente e sou feliz.
o mundo possui a poesia de Sophia e de Eugénio: pleno mundo
orvalhado, irreal e solar...

como o teu corpo, meu amor...
poema a uma mulher ausente
depois do amor
sinto o teu corpo solar
um dia
qualquer dia diurno
cometerei o meu desejo, o teu desejo
serei feliz
porque te amo

porque o amor não se adia
poema a uma mulher ausente
antes dos corpos
o rigor da escrita
naquele tempo o orvalho questionava a manhã anunciada
bebíamos o sorvedouro do mundo
éramos felizes tocávamos o devir e os poemas sonhados
os corpos anunciados nos soturnos rios
desaguariam
muitos anos depois
nas eternas neves do
Kilimanjaro

nesse tempo futuro
chorarei pelo meu amor ausente
poema a uma mulher ausente
o rigor do teu corpo.
a exaustão, findas as fragas.
a descoberta do mar inicial: rugosas entranhas disfarçam a morte...
o poema cansado e velho, como a espera.
como a tua espera.
o Tempo...
o Tempo é a meta do Futuro: revela-nos a nossa condição de mortais: a morgue é já ali...
recordam-se das lágrimas amargas de Petra Von Kant? recordam-se do amor?
neste mundo de lágrimas fodidas e derramadas, penso, ninguém viu aquele filme do génio alemão...
este povo também não conhece a Granada de Lorca... nem a Paris de Henry Miller... nem a Lisboa de Pessoa...
Pessoa bebia muito; também escrevia muito: em tese, afirmo, morreu virgem: o mundo, a eternidade, o futuro, são pessoanos...
(o Tempo: tudo o que importa... e o resto...)

domingo, outubro 05, 2003

sentimento após
a terrível folha em branco não está ausente.
depois do último encontro
não sabes ainda o motivo.
porventura, não será importante.
a morte esperou a estação: aquelas flores tinham remetente há muitos anos.
não te escrevi.
não perdoas esse esquecimento.
apenas sinto que perdemos o futuro...

sábado, outubro 04, 2003

porque o Tempo tem asas
o homem descia a ladeira salpicada de imaturos gestos. queria conhecer os anjos desta terra quase ausente. provocou a morte redentora- como Jesus.
o homem tentou escrever o último verso (das noites devoradas) quase de rastos, quase verme, quase Deus.
o homem morreu.
Deus permanece.
escreverá, Ele, o último verso.
Portugal patético
por uma vez, a Dona Manuela da TVI esteve bem: escolheu as palavras certas para descrever o episódio dos ministros: é uma cunha- disse ela, num rasgo de lucidez...
desfilaram comentadores encartados, advogados especialistas em distintas áreas do Direito, ilustres, todos; debitaram teses, pérolas floreadas; no meio deste circo, o cidadão percebeu tudo antes de todos: foi uma valente cunha metida no Lynce auto-demitido...

sexta-feira, outubro 03, 2003

o Ministro, o Ministro amigo e a filha do Ministro
o País Tuga ao seu melhor nível: corrupção encapotada, mesquinha, quase inexistente para estes olhos de Lynce, salazarenta: voltámos aos anos sessenta: há os ministros, os amigos ministros e as filhas dos ministros...
(Portugal mete nojo...)