terça-feira, março 30, 2004

elogio, breve, da loucura
a arte de desafiar a folha branca.
a arte da folha branca.
a morte da escrita- a ausência da escrita.
Borges via sempre a folha branca.
em branco.

sábado, março 27, 2004

I have a dream
que Durão, Portas e Leite tenham uma indigestão cherniana.
que o Zé mouro caia do trono arrogante onde se instalou.
que Ferro Rodrigues peça o rendimento mínimo e emigre para Timor.
que a Esquerda seja Esquerda.
que o Engenheiro Santos volte para Atenas- ou Esparta.
que a Alexandra Lencastre passe uma noite comigo- a moçoila até é do meu ano.
que Sharon mate os árabes loucos- e vice-versa.
e que Cristo desça à Terra- o debate ficaria mais estimulante...
saber o porquê das coisas
o Homem é o bicho que almeja a felicidade.
aprendemos que o estado natural das coisas é o Caos inicial- e perene.
a caminhada dos deuses reflecte uma canção de Piaf, Amália, Pedro: morreremos, um dia.
então, seremos felizes com os vermes.

quinta-feira, março 25, 2004

lucidez antecipada- ou o plágio vindo de Lanzarote...
afirmo a tese há alguns anos: o voto em branco é a única opção radical que nos resta. os cidadãos opinar e sebenta confirmarão a veracidade do que enuncio.
afirmo-a e pratico-a.
o escriba de Lanzarote pensa de igual forma.
ainda não li a obra.
mas, meus caros: será que o homem me ouve...?
ou não passarei de um qualquer Baltasar privado de uma Blimunda solar e imemorial...?

quarta-feira, março 24, 2004

na escada diurna
o Ser despiu-se; o olhar divagou naquela Alsácia nocturna.
depois, o poeta desceu o rigor de Sines.
aprendera que os corpos não se amam.
devoram-se.
são devorados-como o amor.
Mexia, Lomba, Viegas
estes chegaram com a Primavera.
haja esperança nos salvadores da pátria blogosferiana...

domingo, março 21, 2004

momento
Pedro: sê feliz...

(perdi o meu mundo... ganhei o meu mundo...)

quarta-feira, março 17, 2004

o Senhor Padre
neste preciso momento um padre-o Senhor Padre, como lhe chamam os meus alunos- disserta, na minha aula, sobre a importância do Pai na família.
por momentos, sinto-me transportado para a década de setenta: na minha escola, o padre era, também, olhado com este respeito.
o padre faz a relação entre o dia do Pai e a figura de S.José.
questiono: os meus alunos, dentro de vinte anos, lembrar-se-ão destas visitas...?

terça-feira, março 16, 2004

Paulo Portas
atentados em Madrid.
morte em Madrid.
onde pára o Portas?
nas montanhas do, e com, Bin Laden?
só?
eu sei onde estou...

segunda-feira, março 15, 2004

plagiando o Expresso-em 1982
e agora, Zapatero...?
Bin Laden
não venceu as eleições em Espanha.
mas fica o incómodo: já não é um mero figurante...
este tempo maravilhoso, o nosso,
vivo tempos maravilhosos e estimulantes.
corro os meus dias na corda-bamba.
o meu mundo, qual Atocha, explodiu: novos espaços-outros se anunciam.
há certas mentes putrefactas que não entendem o amor, a poesia e o suicídio como fluidos existenciais do devir.
o amor: Diana, sentada no Taj Mahal, espera por um poema.
a poesia: João Paulo II, a 13 de Maio de 82, rezou em Fátima meia hora em silêncio.
o suicídio: toda a vida de Pessoa.

domingo, março 14, 2004

Bin Laden is watching you...
nesta aldeia global, questionamos: onde será a próxima Atocha?

sábado, março 13, 2004

a revolta de Madrid
assisto, agora, nas televisões, à revolta dos madrilenos frente à sede do pornográfico Aznar.
onde parará o indigente?
escondido nas montanhas de Bin Laden?
ou a foder uma qualquer puta de um qualquer filme de Almodóvar?
diria: Madrid à beira de um ataque de nervos...
sentido quase
depois da tarde carcomida, o orvalho de Kilimanjaro questionou Atocha-e as suas mortes. naquele dia, a Europa (re)nasceu nos comboios da morte.
ficámos a saber que Durão, Aznar, Bush, não passam de seres pornográficos.
e também estamos convictos da genuidade do choro do povo- de todos nós.
falta a verdadeira revolução cultural: foder os cow-boys indigentes que nos massacram constantemente; depois, instaurar um mundo-outro...

sexta-feira, março 12, 2004

Madrid
raramente os comboios voam
(aprendemos nos cadernos matinais)
nas asas do desejo
(trucidadas nos sonhos daquela Madrid invernosa)
Lorca pressentiu o Sol
e olhou

quinta-feira, março 11, 2004

Eta? Al-Qaeda?
na primeira opção, ganhará o PP.
na segunda, ganhará o PSOE.
realmente, o terrorismo comanda o espaço democrático...
11
11 de setembro: quase o outono.
11 de março: quase a primavera.
11 de junho: quase o verão: faltará um dia para o Euro...
Kafka
Kafka existe.
sei do que falo.
11 de setembro, em março,
já fomos berlinenses...
já fomos nova-iorquinos...
hoje, somos madrilenos...

quando seremos, todos, lisboetas...?
11 de setembro, em março,
a barbárie continua...

(hoje, todos somos madrilenos...)

terça-feira, março 09, 2004

Kafka
Kafka existe.
sei do que falo.

segunda-feira, março 08, 2004

da espuma dos dias silenciosos, e das noites
a margem é o limite.
do Kilimanjaro e dos poemas.
sonhados- e já escritos.
a noite também tem a espuma dos dias.
Lorca, enfrentando a luz solar, radiosa, intensa, viu a Virgem.
todos somos filhos da Virgem.

quinta-feira, março 04, 2004

Jéssi, Raquel,
dentro de 15 anos, lerão os textos escritos pelos pais na net.
ficarão enternecidas: entenderão que os putos nascidos nos anos sessenta ainda têm sentimentos, ainda ousam sofrer por amor, ainda arriscam a emoção e a paixão.
entenderão, creio, muitas coisas que os adultos de hoje, repletos de certezas eternas e inamovíveis, não entendem...
entenderão, por fim, que os pais, por mais estranhas que pareçam certas opções de vida, nunca deixarão de as amar- e nunca deixarão de ser seus pais...