segunda-feira, maio 31, 2004

na net, por estes dias,
encontramos tudo, e de tudo, na net.
pululam, nestes reinos siderais, seres inteligentes; outros, nem tanto!
um certo ser frequentador destes espaços adora fazer comentários sobre vida(s) privadas de ex-amigos...
não é correcto: a memória das pessoas, os erros e (des)venturas, os amores e dias felizes, os futuros sonhados, são património pessoal e inquestionável!
ninguém é juíz e mentor dos caminhos dos outros!
quando muito, saibamos escolher a nossa via- ou neguemos outras!
não queiramos abrir a mente do monstro! decerto, seríamos levados na enxurrada visceral...

sábado, maio 29, 2004

depois do amor...
raros os dias, estes...
sensíveis orvalhos, os amores ausentes...
amo o mundo- sempre!

elogio a Mário de Sá-Carneiro

(...)

terça-feira, maio 25, 2004

os navios que nos cruzam
Sophia avançou lentamente.
a montanha servia de ensaio.
os corpos juntaram-se na escrita. dura e ausente.
os limos, muitos dias após, encontraram Oriana.

domingo, maio 23, 2004

depois do sonho...
os vencidos insistem em sonhar.
o teatro Zanguango, no seu PAN CON PAN, mostra os corpos dos actores e o corpo-húmus do sonho.
desfeitos todos os sonhos, amores, resta-nos fazer amor na noite escura.
porque ninguém foge ao seu destino...

quinta-feira, maio 20, 2004

a minha Jéssi
a minha Jéssi tem 1 ano, 9 meses e 21 dias.
está hospitalizada pela segunda vez.
tem os olhos mais doces do mundo.
por razões várias, não a tenho acompanhado muito.
mas, ontem, naquele hospital, o seu olhar valeu 1000 dias de presença constante...
(um beijo do pai, Jéssi boa...)
o túnel de Saramago
perdido, só, no túnel, após receber a notícia de que havia vencido o Nóbel, Saramago questionou a condição humana: não passo de um mortal que, despido das honrarias sociais e institucionais, se encontra só, eternamente só, no túnel da existência.
todos somos Saramago: a nossa mente é o espelho da nossa solidão: somos seres sociais e, ao mesmo tempo, profundamente solitários: a luta é com o túnel sempre presente...

terça-feira, maio 18, 2004

noite
depois do desterro, o poeta visitou a noite. as rias esperavam-no. escreveu um poema. nocturno.

segunda-feira, maio 17, 2004

o meu amigo Benji
é um amigo sensível.
nunca o vi- mas considero-o um amigo real, não virtual.
já falámos muito: futebol, mulheres, amores e erros e errâncias, opções de vida(s)...
a net é assim: ligamo-nos a alguém e contamos memórias de uma noite de Verão...

sábado, maio 15, 2004

a corte dos crápulas
Portugal vive na indigência mental e ética.
pululam por aí seres aviltantes- de Durão a Portas, de Ferreira Leite a Justino, de Pinto da Costa a José Mourinho, toda uma panóplia de comportamentos imorais e profundamente, se me é permitida a expressão, des-éticos!
os tempos são de uma pobreza intelectual impressionante: as escolas são meros contentores de alunos vazios; os hospitais caem de podres; as instituições públicas revelam a pior face do português: a cunha mesquinha, a amizade balofa...
nestes dias em que nos querem tirar o R de Revolução; nestes dias em que provocam constantemente a nossa Cidadania, cumpre-nos uma missão: ler Sophia, Eugénio, Pessoa, Saramago; não ter medo de dizer amo-te e não ter medo de escrevê-lo; assumir a condição de sentir e pensar de forma diferente- ainda que nos custe mudanças radicais no nosso quotidiano...
Abril é Revolução- Sempre!

sexta-feira, maio 14, 2004

da espera
o Pedro viaja para o Algarve.
lá, amará a moura sonhada.
sentirá o frémito do corpo.
sentirá o amor.

terça-feira, maio 11, 2004

espera
do amor- ausente.
esta noite branca de Maio.
o vazio existencial.
a escolha.

sexta-feira, maio 07, 2004

o espelho de Pessoa
quase Kafkiano.
o rigor da poesia do rio da tua aldeia.
os montes de Caeiro.
as deambulações do ortónimo: flagrantes decilitros...
a vida em Praga e Lisboa.
as conversas que nunca aconteceram: ausentes- como Ophélia...

terça-feira, maio 04, 2004

a lágrima de Maria
A Paixão de Cristo é um filme pornográfico.
o corpo de Jesus é violentado e violado na sua intimidade.
o sangue jorra; contudo, a cena mais impressionante do filme é a delicadeza da lágrima de Maria- como um regato orvalhado, a doçura é um oásis neste deserto vermelho...
Gibson é um fascista e maniqueísta: vê a vida a duas cores: os Judeus são os culpados da morte de Jesus: Este, a vítima quase-humana.
sabemos que Deus é multicolor: a Criação do Homem é o espelho do arco-íris; Deus ama o sangue, as lágrimas e tudo o resto- que é tudo- esquecido por Gibson...
se o realizador lesse Eugénio e Sophia, o filme seria mais provocante e estimulante; assim, não passa de um imenso objecto pornográfico...

sábado, maio 01, 2004

os outros
seres outros: margens de rios do Devir- quase de templos imemoriais.
são assim os desígnios da gestação do poema.
do texto.
do.