| o barco do aborto e a jangada de pedra
este país é um aborto. santanamente falando. ponto prévio: sou contra o aborto- qualquer aborto! é uma questão ética e moral- ninguém tem o direito de tirar a vida a um ser humano. mas, nesta discussão, a questão é outra: este governo anormal impede a livre discussão. impede a livre circulação. refugia-se em argumentos tolos, mesquinhos e fascistas. é próprio destas mentes: há assuntos que não se discutem! apetece dizer: porque é que este governo não emigra para Lanzarote numa qualquer jangada de pedra...? |
segunda-feira, agosto 30, 2004
sexta-feira, agosto 27, 2004
perda quando o amor se perde, naufragamos no rio pessoano. o rio mais belo e, também, distante. é da poesia da vida: o amor não é eterno- a sua eternidade dura no momento presente. o futuro nunca chegará: resta-nos sofrer pela sua aparição fugaz...
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segunda-feira, agosto 23, 2004
A Pianista é um filme destes tempos: incertos, errantes, atormentados. fala da impossibilidade de amar: o último degredo. a professora é um ser frágil: comanda as existências dos alunos porque ainda não se libertou da jaula de sua mãe. quando é colocada em causa, o seu mundo caótico desorganiza-se: é levada pela existência superior do aluno- este aprendeu as regras e comanda o jogo. no fim, a morte- ou não...
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domingo, agosto 22, 2004
lei da rolha, lápis azul o atleta olímpico Manuel Silva falou. disse o que lhe ia na alma. realçou a falta de apoios. correu, parece, com sapatos rotos. o chefe pidesco do comité olímpico de Portugal não gostou. recambiou-o. para casa. logo, a conclusão: naquela comitiva, paga com o dinheiro dos portugueses, quem não fala pela voz do dono fica sem osso. e é expulso do canil- roto ou não... |
Trinta anos depois... a perda da Liberdade: não tenhamos ilusões: este país vive sob uma ditadura neo-liberal- de contornos fascizantes! há trinta anos os poetas deste país não sonharam Santana e Portas- políticos de Santa Comba e atacadores de dona Maria. no túmulo, o velho Salazar ri: este país vive num pântano boçal de consciências atávicas e inertes! não esqueçamos a palavra amor! como escreveu o poeta: é urgente o amor!
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Trinta anos depois
Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e vai o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois.
Trinta anos depois ainda nos resta
de liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.
Manuel Alegre
sábado, agosto 21, 2004
irrita-me a pose do tachista Sócrates. nota-se que a Esquerda não passa por ali.
o discurso é vago. quase Barrosista. este Sócrates é um homem de Direita- razão tem Manuel Alegre em reivindicar o debate ideológico para esta campanha(?)- ainda que o Sócrates não esteja interessado em debater...
a Esquerda em Portugal é uma manta de retalhos- ainda que estes não sejam muito estimulantes. resta Louçã- sempre preciso e cortante; resta Alegre; Sampaio exilou-se; Guterres anda por aí- comendo do banquete da Internacional...
depois do Santana, o circo total- se Sócrates ganhasse o PS...
sexta-feira, agosto 20, 2004
os rios também se abatem, Mónica.
será que o mar de Sophia nos invade a alma quando tudo parece perdido?
algumas pessoas não conhecem esta linguagem: rios, Sophia, orvalho, Kilimanjaro; algumas pessoas, Mónica, desconhecem a força da palavra e do poema.
algumas pessoas nunca amarão ao som do mar- e nunca voltarão para buscar os instantes que não viveram junto dele...
quinta-feira, agosto 19, 2004
somos seres exigentes.
devoramos mulheres, Sophia, futebol, amores desencontrados.
morremos por amor...
somos habitantes do Olimpo...
sofremos! mas vivemos!!!
terça-feira, agosto 17, 2004
a face oculta dos dias quando habito o teu corpo creio em Deus. percorro a respiração da memória. invento as noites pressentidas. leio o orvalho matinal. sim, Deus existe. |
atitude ética os pais da criança que está em coma devido à queda de uma baliza anunciaram que vão processar a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. o filho teve o acidente ontem. hoje, o anúncio dos pais. não percebo esta rapidez. tendo um filho em risco de vida, sobra-lhes tempo para discursos institucionais? não coloco em causa o direito. questiono a rapidez- será um sinal dos tempos modernos...?
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segunda-feira, agosto 16, 2004
seiva, sangue naquele tempo, há muitos dias, era feliz. rumorejava o amanhecer quando saía de casa com os meus avós. a terra era húmida e fresca. a voz do campo pressentia a felicidade. o rosto doce de Maria olhava-me: eu, filho de seu filho, seiva do seu sangue, estava ao seu cuidado. a doce Maria nunca me abandonou... |
silêncio.
quase sepulcral.
entediante.
Pedro Abrunhosa, aqui, veria uma espécie de céu.
sábado, agosto 14, 2004
o Tejo desagua em Lisboa errantes os dias. e disformes. nos outros tempos, felizes, percorríamos o cabo Espichel- de Gabriela. fazíamos amor nas dunas brancas. sim, a cor era branca- como a alva de Pedro e Inês. depois desses dias, esquecemos a memória. vegeto no sal sem fim. questiono os dias e as madrugadas. acompanho os gatos nas viagens nocturnas- tentando não esquecer o amor... |
sexta-feira, agosto 13, 2004
quando os barcos abandonam o cais... o sol de lorca invade os nossos corpos. amamos muito este sol. não é importante: Granada resta algures na Andalucia. dos nossos corpos, o filamento da Andalucia é refulgente: o Paraíso de Deus é o nosso refúgio. sonho em fazer amor com Deus- num tempo imemorial, num tempo em que Deus és tu... |
Daniela nunca te vi, Daniela. contudo, sei que os teus pais te amam muito- na imagem de Margarida, sempre presente. naquele 13 de Agosto, Daniela, todos aprendemos o quão a Vida tem de aleatório: um Ser vivo é um milagre de Deus... Daniela: subirás o Colcorinho. lá, verás um poema doce e límpido de Sophia- essa Deusa do Amor... as tuas irmãs e os teus pais dir-te-ão que vives eternamente nos seus corações, nas suas almas- afinal, a herança de Deus... |
quinta-feira, agosto 12, 2004
o amor é... o amor é uma pena de Sophia salpicada pela pena ausente. quando visito o teu corpo relembro os caminhos errantes de Kilimanjaro- naquelas neves eternas campeiam os sóis de Eugénio numa qualquer manhã portuense. Pedro Abrunhosa chegaria muitos dias depois. cantaria o Momento no palco dos túmulos de pedro e inês. na neve eterna amarei o húmus inicial...
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| Sociedade-podre
confesso: tenho cada vez mais nojo pelas mentes rasteiras que habitam este mundo. o português típico é, intelectualmente, podre, rasteiro, bafiento: ocupa o tempo com questões menores e não-estimulantes. sei que a Educação não funciona; sei que as mentes são ocas; mas, por favor, deixem os outros escolherem os seus caminhos. leiam Régio! |
quarta-feira, agosto 11, 2004
raros são os dias raros são os dias amorosos. a distância percorre os sentimentos e os poros da tua pele. conheço-os todos: respiro neles, neles transpiro e feneço. depois, percorremos o cabo Espichel de Gabriela e os mares solares de Sophia. quando fazemos amor, lemos as rias navegantes de Eugénio- esse poeta do amor...
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terça-feira, agosto 10, 2004
| Pedro Abrunhosa no Cavaquistão
vi ontem o concerto do Pedro em Oleiros. genial- como sempre. dois mundos estavam presentes naquela vila: o urbano, empenhado politicamente, defensor das causas puras e sensíveis- o do Pedro e de alguns resistentes; o rural- quase fascista, envergonhado, passadista e salazarista- o da imensa plateia. momentos antes do início ouço, estupefacto, uma mulher a rondar os 40 anos dizer: quando ele cantar aquela canção «porca», não direi talvez foder; direi talvez viver... pois é, caros Salazar e Cavaco: as vossas mentes reaccionárias conduziram milhões de portugueses para um quase inultrapassável estigma mental balofo, antiquado, indigente! senti-me recuar aos anos cinquenta: não os vivi- mas pressenti-os ontem... |
domingo, agosto 08, 2004
carta a Jéssi
minha filha a vida é, por vezes, repleta de emoções. os meus amigos Nélson e Carlos perdoar-me-ão o apagamento involuntário da carta anterior: os seus comentários doces e sensíveis não mereciam tal erro... Jéssi: falava de emoções na outra carta: falava de olhares, cumplicidades, nostalgias, dores e felicidades: afinal, é o húmus da vida, da certeza plena do caminho errante... Jéssi: os momentos são irrepetíveis; possuo, hoje por hoje, algumas certezas e muitas dúvidas; desejo a felicidade das minhas filhas, deusas do mar e do vento...
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