sexta-feira, dezembro 31, 2004

felizes 2005, 2006, 2007...

o Tempo somos nós: o meu avô Duarte ensinou-me que o Tempo é nosso - aos 2, 20, 200 anos...

meus avós: até sempre...

aos vivos: usem e abusem do Tempo; vivam! - porque ninguém o fará por vós...
mar vivo

parece que o mar morto está vivo. e não se recomenda. erro, puro erro: o mar é como um poema de Sophia: engole os humanos incautos, animalescos, ocidentais turistas. respeitemos o mar, os sismos: a Natureza devolve-nos à nossa condição de animais; morreram cem, duzentos mil? e quantos outros animais morreram? e quantas plantas morreram? o Homem é a medida de todas as coisas - ensina-nos o Ocidente há séculos! logo, o vaqueiro texano dá a esmola de 25 milhões de dólares para as vítimas do mar vivo! não o condeno: 100 milhões, 1000 milhões, não seriam suficientes, nunca...

acredito em Deus e na poesia; acredito na força do mar e do poema; acredito no amor; acredito que as almas das pessoas, dos animais, das plantas, mortas no colapso asiático, vivem algures neste mundo, nos mundos eternos das ilhas onde Sophia escreveu poemas de resistência e liberdade...
2004

amarei a mulher.
amarei as minhas filhas.
amarei o mundo.
e, depois, lerei alguns livros: marginais, ausentes, quase cortantes.
direi: o meu mundo é a poesia. direi: o meu mundo é o amor e a mulher amada. direi: o meu mundo é este mundo...

(texto escrito em 31.12.03)

terça-feira, dezembro 28, 2004

a prima da aldeia

a prima da aldeia entende a vida como purgatório - nunca ascenderá ao céu nem ao inferno. desconhece o amor: o amor é para os outros, pensa.
a prima da aldeia passeia o neto de olhos azuis, fortes, poderosos: será capaz, essa criança, de amar o que a avó recusou?
a prima da aldeia passa pela vida, pelos sentimentos. questiona os outros sobre os sentimentos. não consegue libertar-se do purgatório. nunca conhecerá as laranjeiras maduras de Eugénio...

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Natal, o que é,

o rigor da ausência.
do corpo das amantes.
do céu nocturno.
do poder dos picos eternos.
como se o olhar das minhas filhas fosse eterno...

domingo, dezembro 26, 2004

Natal, o que é,

o Nascimento de Jesus.
a Fogueira.
o olhar da Jéssi.
o olhar de Jesus numa criança.
em todas as crianças do mundo...

(texto escrito no dia de Natal de 2003 - o derradeiro Natal que passei com as minhas filhas. foi há tanto tempo, Nicole e Jéssi... o pai estará sempre convosco - afinal, o Natal é partilha, comunhão, amor - estes sentimentos são meus, ninguém mos poderá tirar...)

sexta-feira, dezembro 24, 2004

EU ME PERDI
Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Polícia agiota fariseu
ou cocote

Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu me salvei na limpidez da terra

Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
e nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar


Sophia de Mello Breyner Andresen






NEVE
Oiço-te na extensão do sono
com dificuldade. O inverno, a neve
que nele havia, arde.
Era tão branco tudo: astros,
árvores, até as aves
que se abrigavam não sei
em que alpendres. E chamavam,
chamavam da brancura da neve.
Nenhum muro, nenhuma porta,
só a voz que chamava, doce
e pequena voz, a querer
partilhar comigo
o inverno, a neve, o mundo
amanhecendo, anoitecendo, branco.


Eugénio de Andrade







quinta-feira, dezembro 23, 2004

Natal carnavalesco...

afinal, estamos no Carnaval...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

os professores e as vaidades

os professores, muitos, são vaidosos: detentores de capelinhas, cursos, licenciaturas, mestrados, pós e outras graduações, limitam-se, quais ruminantes, a saborear a pasta da pastagem oferecida. entretanto, não devoram o essencial: a vida nos livros, os livros da vida, o calor dos corpos por existir...
Sócrates, Santana e Portas

calem-se!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


nestes dias assim

nestes dias, confesso, vale a pena, apenas, uma coisa: ler, ler cada vez mais. Sophia, e a sua escrita solar, convoca-nos para os deuses.
tudo o mais, as infâmias indigentes de gente torpe, não vale a pena.

sábado, dezembro 18, 2004

Mariza

grande concerto. mulher linda, quase deusa. diria: uma deusa. naquela noite, fomos deuses, quase todos...

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Godot chegou...

Assunto: Pedido de trocas de escolas

De acordo com os critérios superiormente definidos, só poderiam ser autorizados, ainda que a título excepcional, trocas de escolas dentro do mesmo Agrupamento e/ou mesma localidade.

Face a tal circunstância, e tendo em atenção que a sua situação não se enquadra em tais pressupostos, é indeferido o seu pedido.

(...)

comentário do requerente: sem comentários... apenas a tristeza de viver em Portugal - com estas burocracias e espíritos reinantes...


segunda-feira, dezembro 13, 2004

estas difíceis ideias de e sobre a escola

este amigo escreve que a escola não deve ser deixada ao uso e abuso dos professores. depois, discute espaços, territorializações, papéis da comunidade, etc....

confesso: estou farto de tanto discurso, medidas, projectos. já o escrevi: partamos de uma, duas, três ideias - é suficiente, se formos capazes de aplicá-las...

antes do mais: o que é a Escola? é um palco de poder onde actuam diversos protagonistas? a escola resume-se a isso? discordo: a Escola é um local onde se ensina e aprende. nos últimos 30 anos, a Esquerda fez da Escola um palco circense - diria, uma assembleia da república dos pequeninos! toda a gente tem assento neste palco: pais com manias inquisitoriais, autarcas desejosos de aparecer na foto, professores que lutam pelo poder... é um ver se te avias: comissões executivas, assembleias de escola, conselhos pedagógicos, conselhos de docentes... às tantas, penso: no meio desta trapalhada legal, quando tenho uns minutos, ensino os meus alunos...

a escola representa o país: hoje por hoje, cantam-se loas à nossa autonomia... que autonomia? no 1º Ciclo do Ensino Básico, o meu, nem um cêntimo disponho para dar ao ceguinho da esquina! não conheço autonomia pedagógica sem o necessário suporte financeiro. a escola representa o país, ainda, como exemplo da burocracia reinante: os professores têm que ser quase juristas, hoje por hoje; a nossa missão, ensinar, não terá muita importância para os lados da 5 de Outubro!

meu caro Manuel: a escola é, antes de tudo, um espaço onde se ensina e aprende. definam-se programas razoáveis, equipem-se os espaços escolares, deixem - não me interpretem mal...- os professores trabalhar. depois, se sobrar algum tempo, haja circo para o povoléu ver...


domingo, dezembro 12, 2004

estes difíceis amores

Júlio Machado Vaz discute com mulheres o assassínio de uma mulher por parte do seu marido. sobretudo, discute-se um acórdão anormal de um tribunal qualquer «desculpando» o acto do homem. há muitos homens assim. homens anormais, travestidos de bons chefes de família, cidadãos exemplares no emprego e no corpo social. há homens assim: autênticas bestas, mandantes no e do espaço familiar, frequentadores de casas de putas e afins, doutores e engenheiros nas horas vagas. sejamos conscientes: muitos homens entendem a casa como o seu espaço ditatorial, anões disfarçados de Hitler e Salazar. este país está doente; eu sei qual a cura necessária: formação, informação, educação. apenas abrindo novas vias mentais para opções diversas se conseguirá menos violência e machismo lusitano. mas, como sabemos, essa luta tem muitos adversários: o Poder, a Televisão, a boçalidade reinante...


carta aberta a José Peseiro

meu caro

demita-se!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


sábado, dezembro 11, 2004

incubadora

o bebé demitiu-se... realmente, não há pachorra para esta gentalha...


conforto espiritual

hoje, almocei com dezenas de professores, na Sertã. homenageámos cinco colegas que se jubilaram há alguns meses. houve discursos institucionais: do autarca concelhio, do presidente do agrupamento, de outras personalidades. confesso: não lhes dei muita importância - salamaleques oratórios não me estimulam. depois, as palavras dos jubilados; aqui, ouvi a sinceridade, a alma, o sentido do dever cumprido. e, sempre, a disponibilidade para os outros...

obrigado, amigos, pelo exemplo das vossas vidas...


dúvida abrupta

será que este bloguista conseguirá o milhão de visitas antes de 2005...?


sexta-feira, dezembro 10, 2004

do...

do discurso de Sampaio à crónica de Miguel Sousa Tavares no Público de hoje - todo um mar por descobrir...


Duarte Cravo

naquele 13 de Março de 1992, meia hora após a tua morte, estivemos sós. o teu rosto continuava juvenil, aos 82 anos. no dia anterior, horas antes do coma, quiseste beijar a minha filha de 10 meses. senti, aí, a passagem de testemunho, avô. hoje, farias 95 anos. corrijo: hoje, fazes 95 anos - no Olimpo, no céu, num qualquer tempo e espaço em que habites. escrevo-te, avô, porque as cartas de amor existem para isso mesmo - como demonstração de um amor puro e límpido. e, já agora, desculpa qualquer coisinha - sei que os avós perdoam tudo aos netos...


foi você que pediu um país surreal?

Santana, Portas e Sampaio oferecem-lhe um; no fundo, somos todos comparsas desta tramóia: aturamos estes gajos: somos fodidos e pedimos mais...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Freitas dá lição a Sarmento, de borla

ouço Freitas na SIC Notícias: desmonta, exemplarmente, o discurso balofo, incipiente e tonto, de Sarmento sobre Sampaio. os tempos que correm são estes: há vinte anos, discordava-se de Freitas - mas não se lhe negava a cultura e a sapiência; agora, temos Santanas e Sarmentos - pessoas incultas, frágeis no discurso político, inócuas, tontas...


as agruras de Sampaio

Ouve, Sampaio; Sampaio, ouve; ouve e ausculta, Sampaio; Sampaio, ouve e ausculta; Sampaio, decide; decide, Sampaio.


a dor de todas as ruas vazias

sem o corpo, o poeta arremessou o ventre para a areia luminosa. a rua era larga e resplandecente, vazia, contudo. dos outros lados do Tempo, considerámos a plenitude desses olhares: a folha branca, outonal, desafia os corpos - e a sua luta.

muitas noites depois, lemos Sophia.


terça-feira, dezembro 07, 2004

esquecido

Soares não me convidou. grave erro político, Drº Soares...


Salazar não morreu

no Dragão, hoje, assistiu-se ao renascimento de Salazar. em bom rigor: Salazar não morreu nunca; quarenta mil pessoas entoaram o nome do grande conductore... Ceausescu, Hitler, Estaline, também tiveram estas demonstrações de amor... sabe-se como acabaram...


o que é a poesia

(re)criar o Real; tocar os corpos; tingir a folha branca; tudo o que falta escrever.


Parabéns...

Parabéns! que Deus te dê saúde no dia do teu aniversário- e nos anos vindouros. que as pessoas que convivem contigo se dêem conta do teu exemplo de cidadão livre. espero que continues, sempre, assim. parabéns, Miguel, neste dia em que fazes 8 anos...


segunda-feira, dezembro 06, 2004

tese

não acredito no Sporting de Peseiro: o seu melhor confunde-se com o pior do FC Porto...


eu acuso!

é gritante a incompetência dos serviços burocráticos do Ministério da Educação. não respeitam os professores. melhor: não lhes passam cavaco- salvo seja...
explico: em 11 de Outubro, no CAE de Castelo Branco, meti um pedido de troca de escola com uma colega. no mínimo, penso, merecíamos uma resposta. chegados a Dezembro, Godot ainda não apareceu. realmente, este país é uma quinta das celebridades...

concordo com Alberto João

não se responde a birras governamentais com uma birra presidencial. o senhor das ilhas tem razão: Sampaio protagonizou um golpe de estado constitucional...


da escola

o Manuel escreve eduquês. eu, confesso, já não tenho pachorra para tal. o ensino, isto é, a escola, não é o palco- melhor, não deveria sê-lo...- de inúmeras teses, documentos, propostas, brincadeiras, burocracias, reformas e contras das ditas. a escola é apenas um local: local essencial, sim, da aprendizagem- mas um dos muitos sítios onde se aprende e vive. a sua força reside, penso, nas pessoas: aproveitemos as suas capacidades: façamos documentos simples (não confundir com simplistas), definam-se duas, três linhas actuantes e concretizemo-las! recuso reformas burocráticas e complexas- porque, meus caros, resultam em nada e coisa nenhuma...


domingo, dezembro 05, 2004

Pinto da Costa

não acredito que o Papa seja corrupto. como também não acredito que Pinilla não seja jogador. e, igualmente, não acredito que Santana não vença as eleições. mas, como dizia o outro, presunção e crenças...


repto

se os milhões de eleitores votassem em branco como faço desde há alguns anos, os políticos sofreriam a derrota mais pesada: a recusa, pura e simples, dessas almas que nos infernizam a vida! será o combate mais puro: depositar o voto, virginal e luminoso, na urna-cloaca...


sábado, dezembro 04, 2004

Pacheco Pereira

vi a entrevista que deu a Francisco José Viegas na RTP N. lançou uma questão recorrente e interessante: qual é o papel dos intelectuais na política? deverão ser anti-poder? ou, antes, contra-poder? deverão aceitar cargos políticos? ou recusá-los liminarmente? avanço com a minha tese: não há intelectuais. há pessoas que ousam pensar e sonhar; outras, vivem segundo esquemas mentais instaurados por outros. depois, há muitas formas de participar. a política rotineira e corrupta será uma das menos estimulantes...


conselho

Santana: ouça a valsa do Jorge Palma. sei que não é do seu mundo cultural. mas, quem sabe, talvez aprendesse algumas coisas sobre coisas realmente importantes...


Pedro e Santana e Sampaio

como Pedro, Sampaio negou três vezes- e mentiu.
Sampaio será o representante de que Deus?
de Santana-Jesus?
(abençoados estes tempos que correm...)

quarta-feira, dezembro 01, 2004

teorias, teses, explicações

passei o dia a ouvir, ler, doutos comentadores e afins, sobre a destituição(?) do Santana. mil vozes se levantam, mil vozes explicam, teorizam, debatem. eu, já agora, também opino: Sampaio foi cobarde em Julho! agora, envergonhado, agiu com cobardia...