o Tempo somos nós: o meu avô Duarte ensinou-me que o Tempo é nosso - aos 2, 20, 200 anos...
meus avós: até sempre...
aos vivos: usem e abusem do Tempo; vivam! - porque ninguém o fará por vós...
por onde corre apenas o silêncio (eugénio de andrade)
Godot chegou...
Assunto: Pedido de trocas de escolas De acordo com os critérios superiormente definidos, só poderiam ser autorizados, ainda que a título excepcional, trocas de escolas dentro do mesmo Agrupamento e/ou mesma localidade. Face a tal circunstância, e tendo em atenção que a sua situação não se enquadra em tais pressupostos, é indeferido o seu pedido. (...)
comentário do requerente: sem comentários... apenas a tristeza de viver em Portugal - com estas burocracias e espíritos reinantes...
|
estas difíceis ideias de e sobre a escola este amigo escreve que a escola não deve ser deixada ao uso e abuso dos professores. depois, discute espaços, territorializações, papéis da comunidade, etc.... confesso: estou farto de tanto discurso, medidas, projectos. já o escrevi: partamos de uma, duas, três ideias - é suficiente, se formos capazes de aplicá-las... antes do mais: o que é a Escola? é um palco de poder onde actuam diversos protagonistas? a escola resume-se a isso? discordo: a Escola é um local onde se ensina e aprende. nos últimos 30 anos, a Esquerda fez da Escola um palco circense - diria, uma assembleia da república dos pequeninos! toda a gente tem assento neste palco: pais com manias inquisitoriais, autarcas desejosos de aparecer na foto, professores que lutam pelo poder... é um ver se te avias: comissões executivas, assembleias de escola, conselhos pedagógicos, conselhos de docentes... às tantas, penso: no meio desta trapalhada legal, quando tenho uns minutos, ensino os meus alunos... a escola representa o país: hoje por hoje, cantam-se loas à nossa autonomia... que autonomia? no 1º Ciclo do Ensino Básico, o meu, nem um cêntimo disponho para dar ao ceguinho da esquina! não conheço autonomia pedagógica sem o necessário suporte financeiro. a escola representa o país, ainda, como exemplo da burocracia reinante: os professores têm que ser quase juristas, hoje por hoje; a nossa missão, ensinar, não terá muita importância para os lados da 5 de Outubro! meu caro Manuel: a escola é, antes de tudo, um espaço onde se ensina e aprende. definam-se programas razoáveis, equipem-se os espaços escolares, deixem - não me interpretem mal...- os professores trabalhar. depois, se sobrar algum tempo, haja circo para o povoléu ver... |
estes difíceis amores Júlio Machado Vaz discute com mulheres o assassínio de uma mulher por parte do seu marido. sobretudo, discute-se um acórdão anormal de um tribunal qualquer «desculpando» o acto do homem. há muitos homens assim. homens anormais, travestidos de bons chefes de família, cidadãos exemplares no emprego e no corpo social. há homens assim: autênticas bestas, mandantes no e do espaço familiar, frequentadores de casas de putas e afins, doutores e engenheiros nas horas vagas. sejamos conscientes: muitos homens entendem a casa como o seu espaço ditatorial, anões disfarçados de Hitler e Salazar. este país está doente; eu sei qual a cura necessária: formação, informação, educação. apenas abrindo novas vias mentais para opções diversas se conseguirá menos violência e machismo lusitano. mas, como sabemos, essa luta tem muitos adversários: o Poder, a Televisão, a boçalidade reinante... |
conforto espiritual hoje, almocei com dezenas de professores, na Sertã. homenageámos cinco colegas que se jubilaram há alguns meses. houve discursos institucionais: do autarca concelhio, do presidente do agrupamento, de outras personalidades. confesso: não lhes dei muita importância - salamaleques oratórios não me estimulam. depois, as palavras dos jubilados; aqui, ouvi a sinceridade, a alma, o sentido do dever cumprido. e, sempre, a disponibilidade para os outros... obrigado, amigos, pelo exemplo das vossas vidas... |
dúvida abrupta será que este bloguista conseguirá o milhão de visitas antes de 2005...? |
do... do discurso de Sampaio à crónica de Miguel Sousa Tavares no Público de hoje - todo um mar por descobrir... |
Duarte Cravo naquele 13 de Março de 1992, meia hora após a tua morte, estivemos sós. o teu rosto continuava juvenil, aos 82 anos. no dia anterior, horas antes do coma, quiseste beijar a minha filha de 10 meses. senti, aí, a passagem de testemunho, avô. hoje, farias 95 anos. corrijo: hoje, fazes 95 anos - no Olimpo, no céu, num qualquer tempo e espaço em que habites. escrevo-te, avô, porque as cartas de amor existem para isso mesmo - como demonstração de um amor puro e límpido. e, já agora, desculpa qualquer coisinha - sei que os avós perdoam tudo aos netos... |
Freitas dá lição a Sarmento, de borla ouço Freitas na SIC Notícias: desmonta, exemplarmente, o discurso balofo, incipiente e tonto, de Sarmento sobre Sampaio. os tempos que correm são estes: há vinte anos, discordava-se de Freitas - mas não se lhe negava a cultura e a sapiência; agora, temos Santanas e Sarmentos - pessoas incultas, frágeis no discurso político, inócuas, tontas... |
as agruras de Sampaio Ouve, Sampaio; Sampaio, ouve; ouve e ausculta, Sampaio; Sampaio, ouve e ausculta; Sampaio, decide; decide, Sampaio. |
a dor de todas as ruas vazias
sem o corpo, o poeta arremessou o ventre para a areia luminosa. a rua era larga e resplandecente, vazia, contudo. dos outros lados do Tempo, considerámos a plenitude desses olhares: a folha branca, outonal, desafia os corpos - e a sua luta.
muitas noites depois, lemos Sophia.
Salazar não morreu
no Dragão, hoje, assistiu-se ao renascimento de Salazar. em bom rigor: Salazar não morreu nunca; quarenta mil pessoas entoaram o nome do grande conductore... Ceausescu, Hitler, Estaline, também tiveram estas demonstrações de amor... sabe-se como acabaram...
o que é a poesia (re)criar o Real; tocar os corpos; tingir a folha branca; tudo o que falta escrever. |
Parabéns... Parabéns! que Deus te dê saúde no dia do teu aniversário- e nos anos vindouros. que as pessoas que convivem contigo se dêem conta do teu exemplo de cidadão livre. espero que continues, sempre, assim. parabéns, Miguel, neste dia em que fazes 8 anos... |
| eu acuso!
é gritante a incompetência dos serviços burocráticos do Ministério da Educação. não respeitam os professores. melhor: não lhes passam cavaco- salvo seja... explico: em 11 de Outubro, no CAE de Castelo Branco, meti um pedido de troca de escola com uma colega. no mínimo, penso, merecíamos uma resposta. chegados a Dezembro, Godot ainda não apareceu. realmente, este país é uma quinta das celebridades... |
concordo com Alberto João não se responde a birras governamentais com uma birra presidencial. o senhor das ilhas tem razão: Sampaio protagonizou um golpe de estado constitucional... |
da escola o Manuel escreve eduquês. eu, confesso, já não tenho pachorra para tal. o ensino, isto é, a escola, não é o palco- melhor, não deveria sê-lo...- de inúmeras teses, documentos, propostas, brincadeiras, burocracias, reformas e contras das ditas. a escola é apenas um local: local essencial, sim, da aprendizagem- mas um dos muitos sítios onde se aprende e vive. a sua força reside, penso, nas pessoas: aproveitemos as suas capacidades: façamos documentos simples (não confundir com simplistas), definam-se duas, três linhas actuantes e concretizemo-las! recuso reformas burocráticas e complexas- porque, meus caros, resultam em nada e coisa nenhuma... |
Pinto da Costa não acredito que o Papa seja corrupto. como também não acredito que Pinilla não seja jogador. e, igualmente, não acredito que Santana não vença as eleições. mas, como dizia o outro, presunção e crenças... |
repto se os milhões de eleitores votassem em branco como faço desde há alguns anos, os políticos sofreriam a derrota mais pesada: a recusa, pura e simples, dessas almas que nos infernizam a vida! será o combate mais puro: depositar o voto, virginal e luminoso, na urna-cloaca... |
Pacheco Pereira vi a entrevista que deu a Francisco José Viegas na RTP N. lançou uma questão recorrente e interessante: qual é o papel dos intelectuais na política? deverão ser anti-poder? ou, antes, contra-poder? deverão aceitar cargos políticos? ou recusá-los liminarmente? avanço com a minha tese: não há intelectuais. há pessoas que ousam pensar e sonhar; outras, vivem segundo esquemas mentais instaurados por outros. depois, há muitas formas de participar. a política rotineira e corrupta será uma das menos estimulantes... |
conselho Santana: ouça a valsa do Jorge Palma. sei que não é do seu mundo cultural. mas, quem sabe, talvez aprendesse algumas coisas sobre coisas realmente importantes... |