sexta-feira, dezembro 10, 2004

Duarte Cravo

naquele 13 de Março de 1992, meia hora após a tua morte, estivemos sós. o teu rosto continuava juvenil, aos 82 anos. no dia anterior, horas antes do coma, quiseste beijar a minha filha de 10 meses. senti, aí, a passagem de testemunho, avô. hoje, farias 95 anos. corrijo: hoje, fazes 95 anos - no Olimpo, no céu, num qualquer tempo e espaço em que habites. escrevo-te, avô, porque as cartas de amor existem para isso mesmo - como demonstração de um amor puro e límpido. e, já agora, desculpa qualquer coisinha - sei que os avós perdoam tudo aos netos...