domingo, fevereiro 27, 2005

raros, estes dias,

o que é o amor? subir as vozes de Eugénio? desprender-se do mundo politicamente correcto?
largar e, igualmente, preservar relações antigas e demoradas? saber que o mundo não tem um amor - mas, sim, amores? ver e viver as manhãs e as noites dos filmes antigos? o que é o amor? largar uma palavra na cidade branca? ler o poema no corpo de uma mulher? eu não sei o que é o amor. mas sei que o amor se faz procurando - no corpo de uma mulher, no corpo de uma folha branca, no corpo amado, ausente...
eugénio, nas cores do rio e da boca

cintilantes, as noites
o poeta de sophia esperou eugénio e
escreveu: quero amar a palavra rumorosa, a
construção do corpo e do sol
depois,
amámos a sílaba inicial.
Lettera amorosa

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade
A boca

A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.

Levar-te à boca
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?

Eugénio de Andrade
Quase Nada

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

Eugénio de Andrade
Oiço falar

Oiço falar da minha vocação
mendicante e sorrio. Porque não sei
se tal vocação não é apenas
uma escolha entre riquezas, como Keats
diz ser a poesia.
Desci à rua pensando nisto,
atravessei um jardim, um cão
saltava à minha frente,
louco como as folhas de outono
que principiara e doiravam
o chão. A música,
digamos assim,
a que toda a alma aspira,
quando a alma
aspira a ter do mundo o melhor dele,
corria à minha frente, subia
por certo aos ouvidos de deus
com a ajuda de um cão,
que nem sequer me pertencia.

Eugénio de Andrade
Março voltou

Março voltou, esta
ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar

de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos

com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor.

e pelo mundo
uma enorme, enorme indiferença.

Eugénio de Andrade

sábado, fevereiro 26, 2005

No Meu Jardim (Sementes à Terra)

Nascem mais ervas no chão
Do que flores no meu jardim
Regadas pela solidão
Que só tu plantaste em mim

Caem as folhas no Verão
Recobrem o teu roseiral
Não encontro explicação
para este outono anormal

Deito as sementes à terra
Espero que cresçam enfim
Como cresceu o amor
Que já tiveste por mim

Mas passam-se luas e luas
Passa a chuva o sol e o vento
E só nasce um pensamento
Sem cor, só de um tom cinzento

Pergunto-me se alguém
Sentiu tamanha tristeza
Que até baralha também
As forças da natureza

Carlos Maria Trindade
Névoas da Madrugada

A noite já vai longa
e amanhece, não tarda
Antes de ser manhã,
há-de ser, Madrugada

Oiço cantar a fonte
na pedra molhada
Na calma do meu monte,
amanhece, não tarda

Névoas da Madrugada,
são água pr'a mim,
são espelhos em que a alma,
se vê,
a correr,
no jardim

Pedro Ayres de Magalhães
A rosa:
tua nudez feita graça.
A fonte:
tua nudez feita água.

A estrela:
tua nudez feita alma.

Juan Ramón Jiménez
Fado das Dúvidas

Se já não lembras como foi
Se já esqueceste o meu amor
O amor que dei e que tirei
Não queria lamentar depois

Mas uma coisa é certa eu sei
Não tive nunca amor maior

E ainda vivo o que te dei
Ainda sei quanto te amei
Ainda desejo o teu amor

Não tenho esperança de te ver
Não sei amor onde andarás
Pergunto a todo o que te vê
E nunca sei como é que estás

Agora diz-me o que farei
Com a lembrança deste amor

Diz-me tu, que eu nunca sei
Se voltarei ou não para ti
Se ainda quero o que sonhei

Pedro Ayres Magalhães

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Instantes

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiénico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida:
só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termómetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.

Jorge Luis Borges
A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.

Juan Rámon Jiménez

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Descida ao esquecimento

Aqui os mortos estão sentados,
imóveis em redor do tempo,
a contemplar a pálida, e eterna fogueira,
insolitamente sombrios nesta reunião solitária.

Atravessados por espinhos azuis,
por húmidas músicas, e obstinadas cigarras.
Os vendavais castigam seus gestos primitivos,
os corpos vaporosos
se condensam em prolongadas chuvas.

Não. Não fales o idioma extinto.
Não pronuncies o teu nome.
Não rodopies com fatal lentidão a atormentada cabeça.
Que não reconheçam os ocos corações
devorados pelos pássaros.

Enrique Molina
Cíclico

Pergunto à água - o que sou?
Água que entra pela terra e some.

Pergunto ao chão - o que sou?
Chão que esconde os ossos já desfeitos.

Pergunto ao vento - o que sou?
Vento, voz a lutar inutilmente
contra o silêncio e a neve.

Pergunto à luz - o que sou?
Luz que me devora e não se apaga.

Pergunto ao céu - o que sou?
Céu, refrigério da minha punição.

Melissânthi
Epigrama

Avisando alguém Inês
para deixar o marido,
que anda entre putas metido,
ela disse dessa vez:

«Bem que eu veja claramente
o mal que faz ao deixar-me,
não irei dele aforrar-me
mas desforrar-me, contente.»

Baltasar Del Alcázar
Closer

perto demais: os corpos são meros signos falantes; do texto, rico e denso, resta a impossibilidade do amor: as traições, no amor, não existem: ele é fugaz e real; depois de existir, esfuma-se - mas apenas depois...

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

«conheço o sal...»

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minhas mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
o sal da tua língua, o sal dos teus mamilos
e o da cintura se encurvando das ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.

Jorge de Sena
missas e outras desalmas

opino: o Santana decidiu deixar o partido de tanga. não o recebeu assim? e tem direito, igualmente, ao seu tabu! o outro não o fez?
dói-me a alma quando vejo algum povo acreditar no Sócrates; há almas ingénuas e castas, ainda...
Portas bateu com a porta: um conselho, Paulinho: o convento Carmelo tem uma vaga há uma semana...
Jerónimo estava com boa voz e melhor cara: dois deputados fazem milagres, Jerónimo.
Louçã: atenção aos fatos de bom corte: o capitalismo ataca quando menos se espera.
e assim foi a feira desta quinta...
Sócrates e a malta boy

estavam lá todos.
não espero nada daquela gente.
nunca gostei de pessoas que não se assumem: um partido de Direita dizendo que é de Esquerda, um político de Direita assumindo-se como de Esquerda. será mais um desastre...
Santana

incubadora, facadas e facadinhas, desprezado, solidão, eu contra o mundo! - eis o primeiro ministro que Sampaio - sim, não esqueço a atitude de Julho!- nos serviu para nos rirmos um pouco. e, contudo, o circo continua...
Portas, Paulo

foi à missa.
ajudou a velhinha.
contudo, nem a irmã Lúcia lhe valeu...
paz à sua alma...
Louçã

o homem ficará cinzentão como os outros? abandonará as lutas de sempre?
passará a ser um profissional da política? em 85, votei no PSR; volvidos 20 anos - e depois de muitas eleições a votar em branco- votei no Louçã, Portas, Ana Drago - gente que me merece respeito pelas suas lutas, atitudes e discursos. saberão eles crescer eleitoralmente...?

domingo, fevereiro 20, 2005

Dance Me To The End Of Love

Dance me to your beauty with a burning violin. Dance me through the panic till
I'm gathered safely in. Lift me like an olive branch and be my homeward dove. Dance me to the end of love.

Let me see your beauty when the witnesses are gone. Let me feel you moving like they do in Babylon. Show me slowly what I only know the limits of. Dance me to the end of love.

Dance me to the wedding now, dance me on and on. Dance me very tenderly and dance me very long. We're both of us beneath our love, we're both of us above. Dance me to the end of love.

Dance me to the children who are asking to be born. Dance me through the curtains that our kisses have outworn. Raise a tent of shelter now though every thread is torn. Dance me to the end of love.

Leonard Cohen
À imensa maioria

Aqui tendes, em canto e alma, o homem
aquele que amou, viveu, morreu por dentro
e num belo dia desceu à rua: foi então
que compreendeu: e rasgou todos os seus versos.

Assim é, assim foi. Saiu numa noite
lançando espuma pelos olhos, ébrio
de amor, fugindo sem saber para onde:
onde o ar não cheirasse à morte.

Tendas de paz, olorosos pavilhões,
eram seus braços, como chama ao vento:
vagas de sangue contra o peito, enormes
ondas de ódio, vede, por todo o corpo.

Aqui! Vinde! Ai! Anjos atrozes
em voo horizontal cruzam o céu:
horríveis peixes de metal percorrem
as costas do mar, de porto a porto.
Eu dou todos os meus versos por um homem
em paz. Aqui tendes, em carne e osso,
minha última vontade. Bilbao, a onze
de abril, cinquenta e um.

Blas de Otero

sábado, fevereiro 19, 2005

ARRE, que tanto é muito pouco!


Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora, começa o manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!

Álvaro de Campos
reflexão

este país vive no estertor salazarento. a irmã Lúcia nunca terá ouvido Leonard Cohen; assim se fez a história do quintalinho de Santa Comba: Dance Me To The End Of Love não passou por aqui...
reflexão

Jesus morreu, Marx também e o Portas não se sente lá muito bem...
reflexão

Jesus morreu, Marx também e o Santana não se sente lá muito bem...

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

As Amoras

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem grande o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo também que no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade
sondagens

as minhas fontes sugerem-me que os portugueses, no Domingo, confirmarão a sua condição de povo mais analfabeto, boçal, inculto, imbecil e parvo da velha Europa. de um tresando Dupond passarão para um Dupont nauseabundo. e siga o baile. e siga a boçalidade. e siga a alarvidade.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Isatou morreu

Isatou morreu
Quando tinha apenas cinco anos
E cheia de orgulho
Mesmo antes de saber
Quão pequena a perda
Que trouxe a tão poucos.
A sua mãe chorou
Quase agradecida
Por dela ser privada tão cedo.
E não viu o sorriso
Tão terno como a raiz
Da planta que desponta
Que lhe fechou os olhos.
Os vizinhos carpiram
Conforme a paga que tiveram
E pensaram que grande banquete
Poderia ter sido também o seu casamento.
O pai olhou para ela
Com olhos de mármore e disse:
«Quem derramou o perfume
misturado com o orvalho da manhã?»

Lenrie Peters



(a morte como amor e, também, tristeza infinita: uma criança morre - seremos todos pais de Isatou...)
debate?

ausente - como a voz do Jerónimo.
Sócrates é um Guterres de segunda; Santana e Portas: inenarráveis.
Louçã: não fiques como eles...

terça-feira, fevereiro 15, 2005

A dor da separação

Pousada numa âncora, uma gaivota pia.
De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza.
Surpreendida, a gaivota levanta voo.
Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se.
E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste,
Perdido no vento.

Maruyama Kaoru
país de atrasados mentais

Santana, Portas, Sócrates: atrasados mentais - porque tratam o povo como um imenso corpo de atrasados mentais. parar uma campanha porque uma velhota morreu é de loucos! o confronto, a discussão, o debate ideológico, são coisas sem importância! os ratos de sacristia aí estão! Salazar ainda não foi enterrado!
Silêncio

Silêncio
de salgueiro
sobre um braço de água parada,
silêncio
de nuvens imóveis,
silêncio
de caminhos intransitivos.

Solidão
de relvas de outono,
solidão
de pássaro sobre o pântano,
solidão
de datas insaciáveis.

Dor
de sol ensanguentado,
dor
de luz na penumbra,
dor
do não-vivido.

Ivan Minatti

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

miseráveis ratos de sacristia

Santana, Portas, Sócrates: nojo, nojentos, porque nojento é o aproveitamento da morte de uma pessoa. Estado-Igreja: Salazar, Cerejeira. a merda deste país estacionou nos anos trinta, quarenta, do passado século...
ratos miseráveis de sacristias bafientas...
silêncio

que a noite seja limpa, febril.
desejo a voz do silêncio. o voo soturno dos pássaros.
a anulação do ser.

domingo, fevereiro 13, 2005

tarde de Domingo

na estrada da vida, um telefonema.
uma voz doce, quase silenciosa.
obrigado por esses minutos de vida...
em branco, votarei no Louçã

depois de muito pensar, reflectir, analisar, discorrer, escrever e sonhar, decidi: votarei no Louçã. é um gajo porreiro, culto, gosta de poesia e de mulheres, é pai, não veste de fatinho, manda foder os padres bafientos e as mentes tenebrosas que nos querem comandar a vida. Louçã, conta comigo!
Testamento

Como fui um iconoclasta
Recuso que me façam uma estátua;
Se na vida fui carne,
Na morte não quero ser mármore.

Como sou de um lugar
De demónios e anjos,
Como anjo e demónio morto
Quero seguir pelas ruas...

Devo encontrar na eternidade
Novos anjos e demónios
E conversarei com eles
Numa linguagem cifrada.

E todos entender-me-ão
Que não choro...
Vivi e fui assim,
Assim sonhei, e atravessei o transe.

Virgílio Piñera
Engodo

A poesia não pode tratar de mim,
nem eu da poesia.
Estou só, o poema está só,
o resto é dos vermes.
Estava à beira das ruas onde moram as palavras,
livros, cartas, notícias,
e esperava.
Sempre esperei.

As palavras, em formas claras ou escuras,
transformaram-se em alguém escuro ou mais claro.
Poemas passam por mim
e reconheciam-se como coisa.
Via-o e via-me.

Esta escravidão não tem fim.
Esquadrões de poemas procuram os seus poetas.
Vão errando sem comando pelo grande distrito das palavras
e esperam o engodo da sua forma
feita, perfeita, fechada,
concentrada e
intangível.

Cees Nooteboom
Se estou
sozinha na neve
é óbvio
que sou um relógio

de outro modo como poderia
a eternidade deslizar


Inger Christensen

sábado, fevereiro 12, 2005

há muito tempo, meus avós...

há muito tempo, meus avós, fui feliz. acordava com os vossos passos ternurentos - madrugada, ainda. respirava o sol nas caminhadas que fazíamos. corriam os anos de 70, 71. tudo era descoberta para uma criança de 5 anos: os braços fortes e sensíveis do meu avô Duarte, o olhar doce e eterno de Maria - minha avó, apenas a melhor pessoa que conheci ao longo da vida. não esqueço que os perdi. mas também não olvido que os amarei eternamente...
Paulo Portas

é perigoso, este homem(?). pensa que é o detentor da Verdade suprema. é um quisto de Salazar - resta saber a identidade da D.Maria do dito cujo...
Santana Lopes e a brincadeira

11 de Fevereiro de 2005: Santana discursa num comício; avisa os jornalistas: acabou a brincadeira, meus caros!!! exijo respeito!
Santana, homem solitário - nem o Sr. Silva o respeita!- dispara em todas as direcções; agonizante, esta brincadeira circense...
Santana e a brincadeira

1 de Julho de 1995: Santana Lopes, recém eleito presidente do Sporting, discursa: acabou a brincadeira, Pinto da Costa - (entre) diz...
Fevereiro de 2005: Pinto da Costa continua a ganhar títulos para o FC Porto - com ou sem apitos...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

viajante da noite, das noites

na noite, me desejo e me perco.
os tempos são caóticos.
o poema respira o sal do meu corpo...

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

terror de te amar

sensíveis os campos dos amores emergentes
sophia inundou o olhar do tejo rumou a norte
na tarde ouvimos o silêncio tristemente emudecido
cavalo à solta por soltar é este terror de te amar sophia
bebe mais um copo ary
na brancura me revejo e me desejo

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

RAPARIGA BORBOLETA RAPARIGA


a rapariga sonhou que era borboleta
levantou-se
e não soube quem era
uma rapariga sonhando que era borboleta
ou
uma borboleta que era rapariga

depois de centenas de anos
o ar à noite,
meus filhos,
era um rapaz e uma rapariga
brincando como uma borboleta
que sonhava ser um rapaz e uma rapariga
ou
um rapaz e uma rapariga sonhando ser borboleta

o vento soprou forte
uma borboleta
meus filhos
caiu lá fora em pedaços


Unsi al-Haj

terça-feira, fevereiro 08, 2005

ela sabe

ela sabe que os corpos têm impulsos - filhos do frémito inicial. por vezes, não dominamos os ventos de sophia, as emoções, o pulsar das coisas: cumplicidades, cores suaves por descobrir e respeitar...
ela sabe...

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

ontem, fugi

por questões de higiene mental, ontem, fugi de Castelo Branco.
a cidade foi invadida por débeis mentais.
exilei-me no campo: li e pressenti a chuva.
também sonhei com sophia e eugénio.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

escrita nua

o orvalho invade o corpo. e a lua.
quero mostrar-te os primórdios da primavera. alcançar os tempos de outrora.
um anormal, e imbecil, disse que a poesia é o ofício dos que não fazem nada: pobre alma: desconhece o prazer do corpo da escrita nua, rasurada; desconhece o orgasmo torrencial da página virginal.
desconhece o conhecimento inicial: o amor.