quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Isatou morreu

Isatou morreu
Quando tinha apenas cinco anos
E cheia de orgulho
Mesmo antes de saber
Quão pequena a perda
Que trouxe a tão poucos.
A sua mãe chorou
Quase agradecida
Por dela ser privada tão cedo.
E não viu o sorriso
Tão terno como a raiz
Da planta que desponta
Que lhe fechou os olhos.
Os vizinhos carpiram
Conforme a paga que tiveram
E pensaram que grande banquete
Poderia ter sido também o seu casamento.
O pai olhou para ela
Com olhos de mármore e disse:
«Quem derramou o perfume
misturado com o orvalho da manhã?»

Lenrie Peters



(a morte como amor e, também, tristeza infinita: uma criança morre - seremos todos pais de Isatou...)