segunda-feira, março 14, 2005

14 de março de 92

há 13 anos, avô, desceste ao pó inicial. foste um homem do século. amaste, muito, a avó. e, já agora, que ninguém nos ouve, outras mulheres. fizeste filhos, e netos, e bisnetos. meu caro: naquela noite, havias morrido há meia hora, estivemos, sós, durante alguns minutos. vi o teu rosto lindo e, finalmente, sem um sofrimento atroz. vi a tua vida, nesses minutos; relembrei os meus dias felizes de 70, 71: íamos para o campo, a terra cheirava a terra, a chuva acontecia no Outono e Inverno: tudo parecia eterno - aos meus olhos de criança. nunca esquecerei, avô, esses dias; nunca esquecerei, igualmente, o beijo que deste à minha filha um dia antes da tua morte: nesse momento, percebi que passavas o testemunho...

avô: a avó também já faleceu. os dias continuam cinzentos. o teu neto carlos continua como tu: afinal, sempre desejaste ser feliz...

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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8:47 da tarde  

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