regresso ao tempo infantil na noite percebi a noção do amor e do tempo obrigado meu Deus salvaste-me naquele monte retorcido de ferro estou vivo e serei feliz
amor louco, divino, pungente. amor diário, transparente, evanescente. amor sensível, imparável. corpos puros, puros cheiros de Primavera, movimentos incessantes, intensos, primordiais. falo do amor de sophia pelas palavras. falo do amor de eugénio pelo orvalho. falo do amor por uma mulher.
sou um sportinguista fanático. choro pelo Sporting. amo o Sporting. e, mais uma vez, o futebol confirmou que é o palco: irracionalmente primordial. ontem, fiquei contente, não pela vitória dos galináceos; mas pela alegria dos meus amigos benfiquistas. Antunes e Gama: gozem este momento único: sei o que sentem...
amanhã, os lampiões serão campeões menores de uma liga menor. nenhuma equipa merece o título - nem o Sporting, a menos má. contudo, os verdadeiros benfiquistas não exultarão com esta compra da mini-liga-tuga: os roubos foram mais que muitos e o mérito, menos que pouco. do Sporting, por óbvios motivos, não falo - Ricardo e Peseiro já o fizeram... (a propósito: acabo de ver o Manchester-Arsenal; realmente, a Justiça, no futebol, é coisa de somenos importância...)
o amor é feito na tarde, na louca tarde de Verão. o calor do corpo, do teu corpo. as línguas que se tocam - que tocam nos seios, no sol luminoso. tudo isso que faz o amor...
a mentira é a negação do amor. honrando a verdade, pertencemos à pureza inicial - ao vento de sophia, ao orvalho de eugénio. quando amamos alguém, pertencemos a essa pessoa. eu pertenço a esse mundo dos deuses; no céu, também se mente no lodo pantanoso e nauseabundo...
nesses tempos, falávamos de mulheres, Esquerda e Direita, sonhos e futebol; corríamos a cidade à procura de petiscos e cerveja; provocávamos as mentes bem pensantes com as nossas irreverências a-normais... no Colcorinho, viste o Sol e o Sonho: a imensidão... a amizade nunca se trai, carlos... não sou inquisidor de ninguém; mas a amizade é um valor supremo... (boa sorte para o teu Benfica...)
nessas noites, fomos felizes. fazíamos amor loucamente: pura paixão, delírio dos corpos sonhados. não me arrependo do meu sonho: foi, é real: desafio esta corja de merda instalada na sociedade putrefacta a demonstrar que o amor não vale a pena! hoje, vivo a maior solidão imaginável: a do amor! mas, continuo a acreditar na força do amor: por ele, (sobre)vivo...
o amor é o estado mais puro da alma. serve o húmus do meu real: amo e desejo o amor. há uma mulher que me consome a vida. que me mata. por ela, fiquei sem as minhas filhas. as minhas filhas: o meu ser, a minha alma, a minha verve. serei feliz...?
a vida é o recomeço - dizem os entendidos. a morte será o começo? há vinte anos, não pensava na morte. agora, brinco com ela. já assisti à morte de amigos e familiares. penso que me falta o verdadeiro confronto da vida: a morte. serei digno desse desafio?
aguardo a redenção. a pena de sophia é ágil e costumeira: da razão se fará a sua nostalgia. penso isto e relevo o frágil - é meramente o essencial, doravante...
quer rir muito? passar bons momentos? divertir-se de borla? ficar com o espírito liberto? assista aos jogos do clube dos vermes vieira e veiga - é uma gargalhada geral...