terça-feira, agosto 30, 2005

Brideshead Revisited

genial série, esta, dos anos oitenta.
nestes dias que passam, sinto-me, bastas vezes, inserido naquele clima de afectos silenciados.
recordo Jeremy Irons: o rigor linguístico, a fleuma british, o conservadorismo eloquente.

sexta-feira, agosto 26, 2005

na imensidão

serei o pico eterno
fugaz o olhar de Lorca
quando voltares Sophia convida as laranjeiras de Eugénio
para o fogo inicial limpo
ESCUTO

Escuto mas não sei
se o que oiço é silêncio
ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada festo ponho
Solenidade e risco

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

segunda-feira, agosto 22, 2005

Sul

percorri terras e mares de sonho.
vi aves, pessoas, corpos, naturezas.
o Paraíso existe na Costa Vicentina.
no sul, amor, me construo...
Pôr do Sol

S.Vicente não recusou a Lua
Lorca passou na escarpa silenciosa
Sol avança no rio da memória
Odeceixe

nos mares do ocidente
os corpos visitam horizontes fugazes
o sol da tarde de estio questiona o azul
do amor
viagens

Sintra, Estuário do Sado, Palmela, Porto Covo, Pessegueiro, Odeceixe, Zambujeira do Mar, Vila Nova de Milfontes, Arrifana, Almograve, Amado, Amoreira, Pontal da Carregueira, S.Vicente, Beliche, Sagres, Lagos, Portimão, Albufeira, Vila Real de Santo António, Mértola, Évora...

nestes mundos se sonham e amam as viagens do mundo...

domingo, agosto 07, 2005

memória da viagem anunciada

Sintra, há muitos dias, envolveu o nevoeiro. rarefeito, fugaz. hoje, no deserto, relembro esses tempos que não aconteceram. as tardes da memória permanecem nas rias outonais. depois, emigraremos para o cabo de Gabriela...
na ausência do texto

ofensa: escrever, tingir a folha.
a areia de Sines não te desculpa.
Al Berto leu Borges.
depois, amou o Futuro - e morreu...

sábado, agosto 06, 2005

na ausência do olhar de Borges

muitos dias depois
Borges amou Maria a deusa do templo do sul
e no sul dos andes revi o velho guerrilheiro
che amou o sol de Lorca
poema em forma de não

borges em buenos
veria a ponte o douro das antilhas
e confesso a morte do galo da minha capoeira
será creio a partilha do cabo espichel da...
elegia ao palma

palma
voz do deserto silenciado
esquecedor dos litros de canções enunciadas
queres o vão do reino do Tejo?

sexta-feira, agosto 05, 2005

debruçado, o rosto,

de Lorca não sentimos o sol
do rosto pressentido da bela jovem de rodin
por desígnio da areia solar
ascenderei ao Kilimanjaro de sines de al berto
eugénio e sophia escrevem no teu corpo, então
Karol

é deste tempo.
do meu tempo - do nosso tempo.
e, falando com a Carolina, penso que o tempo de Sophia passa por aqui...
os incêndios e outras merdas...

os incêndios de Verão já enjoam. o povo não percebe o essencial: os bombeiros são incompetentes, os seus comandantes, muitos, infelizmente, são corruptos, os governos, sucessivos, não querem desafiar lobies instalados e, mafiosamente, lucrativos.
deixemo-nos de lamúrias inconsequentes: equipem as corporações, afastem os corruptos, salvaguardem o papel, essencial, do Estado, na prevenção e combate.
assim, temos o gáudio do Verão tuga: as televisões deliram com o sofrimento inocente - enquanto o país arde...

segunda-feira, agosto 01, 2005

Para atravessar contigo o deserto do mundo


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei o meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento


Sophia de Mello Breyner Andresen