sexta-feira, setembro 30, 2005

o sócrates, a manuela, o valter, e outras coisas,

conheço a Educação socialista - rosa, em vez de laranja.
o inglês está aí - para tuga ver.
é o sinal do tempo: a merda da minha escola tem 50 anos; o quadro tem 50 anos; o crucifixo tem 50 anos.
vivemos tempos, misteriosamente, complexos: o valter mete o inglês à bruta - mas o Cristo continua, impante e sofredor, nas paredes da caverna de Platão...
política tuga

há pessoas e vermes.
os vermes vendem a alma aos directórios.
vomitam arruaças e provocam vómitos nas pessoas.
pululam nesta merda de quintal.
eu, confesso, sinto-me enojado: sou um ser andante, solitário, habitante da noite: não aceito a mordaça de chefes merdosos...

quinta-feira, setembro 29, 2005

Manuel

na noite sibilas o vento que passa
o amanhecer de eugénio o amante de pijamas e das laranjas da foz
janeiro no gelo ensinará ao mundo o mar de sines de al berto
no mar de delfos
sophia vive

segunda-feira, setembro 26, 2005

Manuel Alegre

é de boa educação, poeta, combater os Lellos paus-mandados; combater os guardiões dos templos nauseabundos dos conclaves socráticos.
porque o sonho não se adia.
porque a poesia, também - e ainda que custe a muita gentalha - não se adia...

sábado, setembro 24, 2005

a carlos gama

se na noite pressentida
vires o colcurinho evanescente relembra
a redenção o dia a viagem
a errância do destino
o silêncio é o nosso caos
um dia diria eugénio
as laranjas do quintal orvalhado visitarão a redenção
depois da escrita

este tipo, por diversas e, certamente, fortíssimas razões, desiste da aventura.
é pena.
mas de penas, e não só da escrita, se faz o mundo - real ou não...

quinta-feira, setembro 22, 2005

poema em forma de desperdício

se a noite
envolver o kilimanjaro
devorarei o corpo

domingo, setembro 18, 2005

depois de sophia

depois de sophia
5 de julho de 2003
o verso inicial
o último verso
o melhor poema do mundo, desde Pessoa, Al Berto, e afins

na solicitude do mar raro
desejo amar a minha mulher
minha mulher
afirmo minha mulher
minha mulher mulher do meu corpo húmus sangue
há certas merdas Pessoa
alguns rios não explicaram aos redentores da fortuna de Glasgow
a via do amor em odeceixe aspiro o amor o
céu

sábado, setembro 17, 2005

e. depois. e depois.

a configuração humana sempre me fodeu
nas noites de setembro
o amor de Delfos ascendeu o pico da tarde de borges
sei sophia que estas palavras da areia solar suplicam a noite de sagres
Lorca morreu na tarde
na imensidão da noite

ouço os U2. gente séria, boa, anti-capitalista.
a Esquerda, hoje, divide-se entre os maricas responsáveis, os Louçãs que acreditam nos Futuros, os bombistas que rebentam hamburgers ao almoço e os desavindos.
eu, confesso, sou desavindo.
não sou maricas, não creio no Futuro e não sou bombista.
acredito na poesia como a salvação última do caos.
obviamente, o caos vencerá.
mas, isso, é da condição humana.

sexta-feira, setembro 16, 2005

há um professor no mundo

este homem verá o país real.
habitará o Pinhal.
ensinará putos no outro lado do mundo.
terá um bom ano.
porque os putos não têm culpa das valterices que nos fodem...
o amor, e outros contos

sentir o corpo
virgem do sul
saborear a errância cortante
fluidos que contam amor na redenção
se o amor é assim
amo-te
sul

depois do amor o poeta embarcou em lagos
sol e terra azul azul do olhar de borges
poeta assim do sul e do sol e do azul borges
sentirá eternamente o amor
fogo primacial
Carrilho, o indecente

não vi o debate.
vi o resumo.
vi um carrilho mal educado.
até um carmona se cumprimenta.
o carrilho anda preocupado.
com a bárbara.
com a criança.
com a filosofia.
com as eleições.
será um fartar vilanagem: carrilho e soares, derrotas totais.
no fundo, o dito cujo de santa comba rebola-se na cova.
sul

se o sul do corpo repousar no corpo
solar se o sol do repouso pousar no sol
e o sul solar será o sol o corpo o sul
teu
sócrates, maria e valter

são personagens do império tuga, paraíso por nascer, éden de putas virgens e silenciadas. o inglês é o sonho de qualquer paroquiano, o valter até é doutor e a maria está bem e recomenda-se. no meio desta merda toda, isto é, os acompanhantes fodidos dos fodidos músicos do titanic, vegetam os professores e os alunos.

nós, por cá, todos bem...
escrita em forma de poema

na noite de eugénio
sophia questionou o sul
lagos foi devorado pelos celtas desavindos
assomou o futuro no orvalho do teu sangue
amo a mulher ausente
borges rezava as preces
poema em forma de escrita

sempre pressenti a morte
solar quase de sophia
nesses dias de setembro
lia os graves poemas do argentino cego
os cem anos solitários esperam o sol

quinta-feira, setembro 15, 2005

políticos tugas...

ouço o putativo candidato à Junta de Freguesia de Castelo Branco Jorge Neves. é do PS. e diz o homem: se eu não vencer, o Morão não se articulará muito bem com um adversário político! penso: 31 anos depois, Abril tem os filhos que merece...
professores, concursos, e outras coisas inexplicáveis...

meus caros: o surreal existe em Portugal: a seca, os incêndios, os concursos de professores...
sou professor do QZP de Castelo Branco - número 251. no concurso(?) de Julho, coloquei a EB1 Valongo como primeira preferência; agora, vejo que essa escola saiu(?) ao número 311. eu, meus amigos, irei saborear os doces e aprazíveis ares da Gardunha...

(vou emigrar para o Iraque... lá, pelo menos, sei que há um bombista em cada esquina...)

quarta-feira, setembro 14, 2005

14, 9, 65

nasci há quarenta anos.
numa pequena cidade do interior português.
num tempo salazarento, triste, fatalista.
infelizmente, esse tempo não morreu.
Portugal é, ainda, um país de gente com medo - gente sem passado e futuro; gente que desiste do Sonho, de um país melhor, de ler os poetas que valem a pena.
estes tempos vão tristes - como há quarenta anos...

sábado, setembro 10, 2005

Jogo eterno

o confronto de sempre: amor, paixão, desespero, solidariedade, sangue, arte.
hoje; e sempre.

quinta-feira, setembro 08, 2005

o tempo do mundo

amo uma mulher. amo as minhas filhas. hoje, sinto, e sei, o que vale a pena: amar o essencial, amar o corpo de uma mulher - sendo esse corpo a alma da mulher amada...
e, sempre, amar a minha Nicole, a minha Jéssica - as razões da minha vida...
este é o mundo, o tempo do mundo, o mundo do meu tempo; sei que me lerás dentro de muitos sóis; sei, meu amor, que Odeceixe não foi em vão; e sei que te amarei eternamente...

terça-feira, setembro 06, 2005

os dias de setembro

noite, escura, quase.
a sensação de que Odeceixe aconteceu há muitos dias.
os dias acabam cedo, agora.
os putos correm nas maresias solares...

quinta-feira, setembro 01, 2005

a senilidade dos contestatários

Mário Soares cometeu um crime: ousa candidatar-se à presidência! os comentadores da paróquia tuga apelidam-no de velho, senil, antiquado - no fundo, de não pertencer a este tempo. por mim, que não entendo nada destes mundos, arrisco: Soares, entra no campo e dá baile aos jovens! sonha e ousa sonhar! e não ligues a argumentos senis...